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sexta-feira, setembro 05, 2008

à sempre muy nobre e invicta...


À custa de ser una perdi-me
Nesta cidade que em bairros me divide
Particularizei-me nas calçadas, ribeiras e cumes
Tirei fotografias às palavras no grito das gaivotas
Chamei nomes aos mamarrachos dos cais
Fui turista do granito dos sonhos fósseis
E criadora de ilusões efémeras
Amei aqueles a quem a vida passou ao lado
Arrumadores, mendigos, putas, crianças de alma prematuramente desnudada
Cantei o fado e os blues da alma lusitana
Pendurei-me no eléctrico da Foz e fui ver palmeiras
Mas já não se namora: só se pesca.
E passeiam-se as tainhas brasileiras de braço dado.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Primeiro poema de 2008


O meu pensamento à beira Douro transborda cardumes
Na Praça do Cubo entranço as pernas e deixo nascer o desejo
De ser não eu, de alma enroscada no rio,
Mas outra poetisa ruiva e louca
Desgrenhando versos no azul fluido das margens
Comendo azeitonas verdes com a cor do olhar
Que dirige aos homens que passam
Vagabundos como ela de países e almas
Desancorados de promessas ou amores contingentes

sábado, agosto 25, 2007

Ribeira do Porto


Depois de o calor ofegar o corpo
E alongar os gatos nos beirais
Chove na Ribeira do Porto
A água escorre do Cubo
Cinzento escuro reflexo
Desce pelos rostos e cabelos
E faz ecoar as gaivotas
E o rio atravessa a ponte
Espelhando uma nuvem ou outra