A realidade estava nua como a mulher que a sonhava.
Sem alma para vestir,
Vontade de pincelar-se
de azul-céu,
laranja-fogo
ou verde-mar.
Nada.
Reentrou no sonho
Do saber-se nua, dormindo
Na realidade crua de estar sem maquilhagem.
terça-feira, abril 29, 2008
sábado, março 29, 2008
A pedra
sábado, março 15, 2008
Amor revisitado

Com carne e músculo
Tendões e nervos
Fiz instintivo o amor
Que por demais conhecido
Me apeteceu fazer
Com lágrimas e risos
Sussurros e devaneios
Fiz instintivo o amor
Que por demais sentido
Me apeteceu fazer
Com musgos e cetins
Veludos e pedras caras
Emoldurei espontâneo o amor
Que por demais sonhado
Me apeteceu fazer
Tendões e nervos
Fiz instintivo o amor
Que por demais conhecido
Me apeteceu fazer
Com lágrimas e risos
Sussurros e devaneios
Fiz instintivo o amor
Que por demais sentido
Me apeteceu fazer
Com musgos e cetins
Veludos e pedras caras
Emoldurei espontâneo o amor
Que por demais sonhado
Me apeteceu fazer
terça-feira, março 11, 2008
Escrita q. b.
terça-feira, janeiro 01, 2008
Ribeira do Porto II

Os olhos deslumbrados de um gaiato
Que mergulha ponte abaixo fundo no rio
Faz voarem no meu nome as gaivotas
-recados brancos como lágrimas
Vertidas nas pedras gastas do burgo
No cais-chegada-partida de todos os rios
A voz escorre pelos granitos
Fado e Zappa e o cheiro das castanhas
No pêlo dos gatos das goteiras.
Primeiro poema de 2008

O meu pensamento à beira Douro transborda cardumes
Na Praça do Cubo entranço as pernas e deixo nascer o desejo
De ser não eu, de alma enroscada no rio,
Mas outra poetisa ruiva e louca
Desgrenhando versos no azul fluido das margens
Comendo azeitonas verdes com a cor do olhar
Que dirige aos homens que passam
Vagabundos como ela de países e almas
Desancorados de promessas ou amores contingentes
Na Praça do Cubo entranço as pernas e deixo nascer o desejo
De ser não eu, de alma enroscada no rio,
Mas outra poetisa ruiva e louca
Desgrenhando versos no azul fluido das margens
Comendo azeitonas verdes com a cor do olhar
Que dirige aos homens que passam
Vagabundos como ela de países e almas
Desancorados de promessas ou amores contingentes
terça-feira, dezembro 11, 2007
segunda-feira, novembro 26, 2007
Cinco Sentidos
quarta-feira, novembro 21, 2007
segunda-feira, novembro 19, 2007
Projecto
Uma linha estendida ao comprido na caneta recta
Estatelada entre o projecto e a execução
Negra de vontade não angulou arcos
Nem torneou contornos
Nem tão pouco se demarcou do fundo
Ficou uma planta sem alçado
Desorientada no papel
Estatelada entre o projecto e a execução
Negra de vontade não angulou arcos
Nem torneou contornos
Nem tão pouco se demarcou do fundo
Ficou uma planta sem alçado
Desorientada no papel
sábado, novembro 17, 2007
Ao rubro
quinta-feira, novembro 15, 2007
domingo, novembro 11, 2007
Folhas Caídas
quinta-feira, novembro 08, 2007
Foz
sábado, novembro 03, 2007
Febre
Demora-se o homem
Com que me deito
Assim o espero
De águas percorrida
Nascimento recorrente
No meu leito
Com que me deito
Assim o espero
De águas percorrida
Nascimento recorrente
No meu leito
sexta-feira, novembro 02, 2007
segunda-feira, outubro 15, 2007
quarta-feira, outubro 10, 2007
Discurso de água
Efémera
Pode ser a vida
Discurso de um rio
Nem sempre transparente.
As pontes
São nossos corpos
Fundidos em arco
Sobre a corrente.
Pode ser a vida
Discurso de um rio
Nem sempre transparente.
As pontes
São nossos corpos
Fundidos em arco
Sobre a corrente.
sábado, outubro 06, 2007
Marca

As mãos crispam-se
Plenas de raivas não-ditas
Amordaçadas pela conveniência
Os dedos registam
Nas palavras escritas
A dor da tua ausência
Vemos tudo o que desejamos ser
No vislumbre do sonhar
Trevo seco entre as folhas do livro que não leste
Assim se destaca a permanência
Do meu olhar nas letras não escritas
Porque não as soubeste escrever
Plenas de raivas não-ditas
Amordaçadas pela conveniência
Os dedos registam
Nas palavras escritas
A dor da tua ausência
Vemos tudo o que desejamos ser
No vislumbre do sonhar
Trevo seco entre as folhas do livro que não leste
Assim se destaca a permanência
Do meu olhar nas letras não escritas
Porque não as soubeste escrever
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